Pernambuco vai mapear o acesso à água nas comunidades rurais

segunda-feira, 27 de abril de 2020


Para planejar ações voltadas para a melhoria da segurança hídrica de moradores da zona rural do Estado, o Governo de Pernambuco criou a Unidade Gestora do Saneamento Rural (UGRS), instituída no sábado (25/04), por meio de portaria publicada conjuntamente entre as secretarias de Infraestrutura e Recursos Hídricos (Seinfra) e a de Desenvolvimento Agrário (SDA). A iniciativa tem como objetivo fazer um diagnóstico do acesso à água, em qualidade e quantidades adequadas nos domicílios dessas localidades para o desenvolvimento de uma proposta de Modelo de Gestão. Atualmente, cerca de 2 milhões de pernambucanos vivem nas zonas rurais, em localidades dispersas e isoladas.

 O primeiro passo da UGRS será mapear a demanda de água dessa população com as informações sobre o porte da comunidade, distância dos mananciais que suprem o abastecimento de água, frequência do abastecimento, entre outras informações técnicas. Essa etapa consiste no cadastramento das comunidades, que será realizado junto às cidades, de forma online, onde representantes designados pelo poder municipal irão preencher um formulário disponibilizado pelo Governo de Pernambuco em uma plataforma digital. Para isso, uma equipe multidisciplinar da administração estadual atuará conjuntamente neste trabalho, auxiliando na coleta dos dados.

 O cadastramento das localidades rurais será iniciado ainda neste mês de abril e seguirá até agosto deste ano. “Precisamos contar a com participação efetiva dos municípios nessa primeira fase da ação de trabalho e, para isso, temos a participação da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) na Unidade Gestora. Após a conclusão dessa etapa, o Estado terá elementos para desenvolver uma política pública e, inclusive, elaborar um plano de investimento para levar água para as localidades rurais pernambucanas a curto, médio e longo prazos”, explica a secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista.

 As ações voltadas para o abastecimento de água têm sido tratadas como prioridade em Pernambuco. De acordo com Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), considerando dados consolidados de 2007 até 2018, o Governo do Estado investiu quase R$ 4,2 bilhões no setor em todas as regiões. “Obras estruturadoras no semiárido do Estado, como a transposição do rio São Francisco e as adutoras complementares, são iniciativas importantes para o propósito da universalização de serviços de abastecimento de água e políticas públicas a longo prazo, sendo uma das principais metas do governador Paulo Câmara”, reforça a gestora. Dessa maneira, pesarão na definição dos novos investimentos a existência dos grandes aportes já realizados, a fim de aproveitar a proximidade das comunidades com as novas adutoras.

 Ainda de acordo com a secretária Fernandha Batista, definir e implementar modelos de gestão de abastecimento de água em comunidades rurais, de forma descentralizada e participativa, e avaliar a sua aplicação, envolvendo os diversos setores da sociedade será um grande avanço para a qualidade de vida da população na zona rural. “Organizar e priorizar as localidades que precisam de novas infraestruturas ou a reabilitação de estruturas anteriormente instaladas, mas, depreciadas pela ação do tempo ou pelo mau uso, influenciará positivamente nos primeiros resultados do mapeamento para a proposta de Modelo de Gestão”, afirma.

 Para o secretário de Desenvolvimento Agrário, Dilson Peixoto, a unidade gestora será fundamental para definir a gestão dos sistemas de abastecimento do Programa de Integração do São Francisco (PISF), que levará água a comunidades localizadas a até cinco quilômetros das margens dos canais da transposição e do Programa Água Doce, que prevê na primeira etapa a instalação de dessalinizadores em 170 poços com água salobra no semiárido pernambucano.



"O PISF vai beneficiar 12 mil pessoas residentes em 108 comunidades rurais localizadas às margens dos eixos Norte e Leste da Transposição e o Água Doce, outras 60 mil em 21 cidades do semiárido pernambucano. São comunidades que só têm acesso a água potável por meio se carros-pipa e a criação da Unidade Gestora vai ser fundamental para que esses sistemas se tornem sustentáveis quanto  à sua gestão e manutenção", reforçou o  secretário.

 Cadastramento - O diagnóstico da demanda por água nas comunidades rurais será realizado a partir do preenchimento de um formulário online pelos 185 municípios do Estado. A realização desse cadastro trará informações de cada localidade, para que seja possível conhecer com maior precisão a população difusa, sua localização, a fonte atual de abastecimento, a distância dos mananciais próximos, além de dados sobre a qualidade da água disponível e a sua regularidade. No momento, há mais de seis mil localidades pré-cadastradas, e devido ao estado de pandemia decretado pelo avanço do coronavírus em Pernambuco, não há necessidade da visita in loco para o recebimento dessas informações. Dessa maneira, todo o trabalho será desenvolvido remotamente com o auxílio de aparatos tecnológicos para o cadastramento em si, mas também para a elaboração dos instrumentos voltados para o planejamento dos investimentos no setor, a exemplo de vídeo conferências e monitoramento através de georreferenciamento.

 Essa metodologia foi sugerida pelo Estudo de Modelos de Gestão de Sistemas Rurais de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário e foi desenvolvido no âmbito do Projeto de Sustentabilidade Hídrica do Estado de Pernambuco (PSH/PE), financiado em parte pelo Banco Mundial e executado pela Secretaria Executiva de Recursos Hídricos.
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