Votação da reforma ministerial é marcada por críticas sobre ataques pela internet

quinta-feira, 23 de maio de 2019


Partidos de centro reclamaram de ataques virtuais supostamente patrocinados por deputados do PSL; eles cobram uma nova relação com o governo

Líderes de partidos de centro foram à tribuna nesta semana para reclamar de ataques virtuais supostamente patrocinados por deputados do PSL durante a votação da Medida Provisória 870/19, que trata da estrutura ministerial do governo Bolsonaro. Os temas foram as polêmicas sobre o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Receita e também a reforma da Previdência.A votação da MP foi concluída nesta quinta-feira.

O líder do DEM, deputado Elmar Nascimento (BA), disse que ficou surpreso com os ataques relacionados à mudança nas atribuições dos auditores fiscais da Receita – que teriam atuação limitada a crimes tributários. Ele destacou que a medida foi incluída no texto da MP 870 pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE). Esse dispositivo acabou retirado com a promessa de ser rediscutido na forma de projeto de lei.

Nascimento condenou os ataques nas redes sociais que colocaram o partido como defensor da “mordaça” dos auditores.

“Essa questão dos auditores foi inserida por ninguém menos do que o líder do Governo no Senado. Se ele não fez com a aquiescência do Presidente, tinha que ser demitido no outro dia”, afirmou. E questionou se a liderança no Senado seria “errada” e a da Câmara “certa”.

Nascimento disse que as relações com o governo precisam de “racionalidade” e condenou o foco nas redes sociais. “Isto aqui não é um circo em que as pessoas pegam o celular para ficar transmitindo o que aqui se passa”, afirmou.

O líder do PP, Arthur Lira (AL), também acusou alguns parlamentares de dividir o Plenário em troca de “likes” pela internet e antagonizar os deputados. “O tema é delimitar abusos de poder para que a gente tenha paz no ordenamento jurídico desse país. A realidade da matéria é essa, mas o proselitismo político que busca likes na internet vendeu discursos de falsa moralidade”, disse.

Principal expoente do centro, Lira destacou que a MP 870 só foi aprovada com o aval dessas legendas.

“Nós, no centro, trabalhamos para cumprir com obrigação de votar uma MP que, sem nós, não teria votos para estar onde estamos”, disse.

O deputado Diego Garcia (Pode-PR) saiu em defesa do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Disse que Bezerra Coelho foi questionado na comissão mista sobre as mudanças na Receita e que Vitor Hugo foi o único que “assumiu posição” sobre o tema.

Garcia disse ainda que o fato de a votação que devolveu o Coaf ao Ministério da Economia ter tido um placar apertado – 228 a 210 – apenas comprova que as legendas de centro não têm o peso nem os votos que dizem ter.

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