Mulheres se unem contra liberação de armas

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019


Cinco minutos é o tempo que você levará para ler este texto. Quando chegar ao final, em alguma parte do Brasil haverá uma mulher aos prantos clamando por socorro. Clamando por sobrevivência. Para algumas, o tempo infelizmente será interrompido para sempre. Para outras, o fato de terem escapado da morte por um fio não alivia em nada o trauma e aumenta a angústia diante do que pode acontecer a partir de agora: estariam vivas se os seus algozes estivessem armados?

Para quem sentiu na pele ou conviveu de perto com a violência a resposta é não. A preocupação é tamanha que motivou nesta quarta-feira (16), um dia após o radical Jair Bolsonaro assinar decreto que facilita a posse de armas no país, a campanha #SeEleEstivesseArmado, que se manteve entre os assuntos mais comentados durante toda a data. A iniciativa tirou do anonimato inúmeras vítimas que decidiram se expor para rechaçar mais um retrocesso imposto pelo governo autoritário e que contraria todas as estatísticas sobre feminicídios no Brasil.

“Meu pai era alcoólatra e ficava agressivo, eu cresci e não ficava mais quieta, batia de frente, respondia os insultos dele. Um dia ele foi pra cima de mim com um facão, no outro ele me enforcou. Se meu pai bêbado tivesse uma arma, eu não estaria mais aqui”, confessou uma internauta, cujo relato se enquadra nos mais de 80% dos casos em que o agressor é uma pessoa próxima ou tem algum tipo de relação com a vítima. É, também, a resposta imediata à possibilidade real de a liberação de armas engordar ainda mais o alarmante número de mulheres mortas. Para se ter ideia, em 2016, 2.339 mulheres foram mortas por arma de fogo no Brasil,  560 foram dentro de casa. Os dados são do sistema Datasus, do Ministério da Saúde, em levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz.

“Quando falei para um ex-namorado que não queria mais porque meu lance era meninas ele enlouqueceu. Me perseguiu, me agrediu num bar, me jogou de uma escada me ameaçando de morte (BO registrado e tudo). #SeEleEstivesseArmado eu não estaria aqui tweetando essa história”, publicou outra vítima.
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