Isaltino Nascimento critica escolha de Sérgio Moro para Ministério da Justiça

terça-feira, 6 de novembro de 2018


Deputado Isaltino Nascimento (PSB) criticou a decisão do juiz federal Sérgio Moro de aceitar o convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para assumir o comando Ministério da Justiça. Para o parlamentar, líder do Governo na Assembleia, a atitude coloca em dúvida a imparcialidade do magistrado na condução dos processos referentes ao ex-presidente Lula na Operação Lava Jato.

“A máscara de Moro caiu. Viemos à tribuna mostrar que a visão imparcial do juiz não existe e que ele assumirá um ministério de um governo reacionário e atrasado”, afirmou Nascimento. Na avaliação do socialista, a entrega do comando do ministério a Sérgio Moro e a promessa de uma vaga futura no Supremo Tribunal Federal (STF) representam “um prêmio para aquele que foi o algoz do candidato (Lula) que disputaria os votos com o presidente eleito”.

“Sérgio Moro não tem condição moral de ocupar o ministério”, acrescentou o governista, que qualificou como “questionáveis” e “dúbias” outras posições do magistrado. Nascimento citou a divulgação de uma escuta telefônica não autorizada da ex-presidente Dilma Rousseff, a condenação de Lula no processo referente ao triplex do Guarujá (SP) e a exposição de parte da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais deste ano.

O discurso de Isaltino Nascimento motivou reações contrárias de pessoas que acompanhavam, das galerias, a Reunião Plenária. “Nós sabemos viver com indivíduos e segmentos de posicionamentos contrários. Mas precisamos estar atentos porque vivemos em um tempo em que pessoas tentam impor seu ponto de vista e calar a voz daqueles que se contrapõem”, argumentou.Presidente da Alepe, o deputado Eriberto Medeiros (PP) pediu “respeito ao ambiente”. “Temos um deputado discursando. O Regimento Interno da Alepe determina que, em casos como esse, esvaziemos as galerias. Espero que não seja necessário, mas, se for preciso, teremos que fazer”, anunciou.

Na sequência, Edilson Silva (PSOL) foi à tribuna defender que “o direito de ocupação das galerias seja garantido e que quem as ocupe perceba a importância de o fazer da forma mais democrática possível”. Ele analisou que, atualmente, organizações de direita estão tomando as ruas, prática historicamente mais vinculada a movimentos de esquerda. “É preciso que encontremos um espaço de convivência republicana, onde as visões possam se atritar dentro de um ambiente de civilidade”, observou.
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