A vitrine da agricultura familiar nas feiras agroecológicas

sexta-feira, 23 de novembro de 2018


Localizadas em diversos bairros do Recife, as feiras agroecológicas têm conquistado cada vez mais consumidores por conta de seus inúmeros benefícios. O valor mais acessível ao bolso de quem compra e o consumo de alimentos livres de agrotóxicos que contribui para uma alimentação mais saudável, são pontos que fortalecem e conservam cada vez mais esse tipo de comércio, ressaltando a valorização da agricultura familiar através da venda dos produtos do agricultor diretamente ao consumidor. 

Por trás da simplicidade aparente das feiras existe uma regulamentação para que tanto os produtores quanto os consumidores possam estar assegurados no processo de compra e venda dos produtos. É preciso realizar cadastro junto ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento através de uma Organização de Controle Social – OCS, que nada mais é do que um grupo de agricultores que interage e se autorregula para garantir que a produção seja orgânica. Ao final do processo o agricultor passa a constar em um cadastro nacional, atestando a qualidade de sua produção. 

“Já estive em mais de uma feira, meu primeiro contato com produtos orgânicos foi numa que acontece todo sábado na Rua Souza de Andrade, por traz do Colégio São Luiz, nas Graças (Espaço Agroecológico das Graças), que começa ainda na madrugada do sábado. Logo após conheci a feirinha orgânica do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (SARA), que acontece toda sexta-feira pela manhã em frente à sede do órgão localizado na Av. General San Martin, bairro do Bongi. Em todos esses lugares, além de ter acesso a produtos cultivados sem o uso de agrotóxicos e adubos, tenho a oportunidade de comprar diretamente ao produtor, valorizando a agricultura familiar e gerando renda para essas famílias. Nesse processo ambos são beneficiados. Nós ganhamos por adquirir produtos saudáveis e o produtor tem a oportunidade de comercializar o excedente de sua produção.” Conta o analista de sistemas, Marcos Pacheco, frequentador de feiras orgânicas. 

No início o cultivo de alimentos orgânicos era desacreditado, pois geralmente era feito em pequenas propriedades, nos quintais das residências e a mão de obra utilizada era familiar. Com o surgimento das feiras orgânicas o agricultor ganhou a oportunidade de mostrar ao consumidor as vantagens que os orgânicos podem oferecer. Dentre as inúmeras espalhadas pela cidade do Recife a do Instituto Agronômico de Pernambuco se destaca pela variedade de produtos e pela forma que começou.“Fundada em 2009, a feira agroecológica do IPA era voltada inicialmente para os seus servidores, com o passar dos anos atendeu também a comunidade, que foi sensibilizada a consumir um produto de melhor qualidade, beneficiando quem produz, sua família e consequentemente o meio ambiente. Para o agricultor comercializar seus produtos em feiras agroecológicas do grande Recife ou interior do estado, é necessário que ele esteja devidamente regularizado junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Um dos requisitos para a regularização é a declaração de aptidão ao Pronaf, chamado Adape” disse a pesquisadora e responsável pela feira, Cristina Lemos. 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros são produzidos pela agricultura familiar. Impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco nos últimos anos, a prática é baseada no cultivo da terra por pequenos produtores, utiliza mão de obra essencialmente familiar e possibilita além da geração de renda o sustento das famílias agricultoras.
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