'Não podemos deixar que desespero leve o Brasil a uma aventura fascista', diz Lula em carta no Facebook

quarta-feira, 24 de outubro de 2018


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta quarta-feira (24) uma carta em que solicita a união dos democratas em prol da candidatura de Fernando Haddad (PT), e disse ainda, que o "desespero" não pode levar o Brasil a uma "aventura fascista". Lula, que está há sete meses preso na Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná, não cita nominalmente o candidato Jair Bolsonaro (PSL) como foco dessa ameaça, mas fez um chamado aos atores políticos do "campo democrático", afirmando que, se há divergências entre eles, é preciso enfrentá-las "por meio de debate" para derrotar o candidato petista. A carta está publicada no Facebook de Lula.

"Se há divergências entre nós, vamos enfrentá-las por meio do debate, do argumento, do voto. Não temos o direito de abandonar o pacto social da Constituição de 1988. Não podemos deixar que o desespero leve o Brasil na direção de uma aventura fascista, como já vimos acontecer em outros países ao longo da história", escreveu o ex-presidente, na carta divulgada a quatro dias das eleições prensidenciais. 

Neste momento, acima de tudo está o futuro do país, da democracia e do nosso povo. É hora de votar em Fernando Haddad, que representa a sobrevivência do pacto democrático, sem medo e sem vacilações”, indica Lula.

Na carta, o ex-presidente reitera que foi "condenado injustamente, num processo arbitrário e sem provas, porque seria eleito presidente do Brasil" na primeira volta. Desde a prisão, diz que a sua maior preocupação "é com o sofrimento do povo, que só vai aumentar se o candidato dos poderosos e dos endinheirados for eleito". Lula nunca menciona diretamente Bolsonaro.

O ex-presidente, do Partido dos Trabalhadores (PT), preso desde o dia 6 de abril, foi condenado a 12 anos de prisão no chamado caso do triplex de Guarujá e impedido, por isso, de ser o candidato presidencial do partido nestas eleições. Haddad foi o nome escolhido para avançar com a candidatura, tendo sido segundo na primeira volta, a 7 de setembro, atrás de Bolsonaro.

"Tenho consciência de que fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo, mas sei que isso contrariou interesses poderosos dentro e fora do país. Por isso tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo. Mas não vão conseguir", refere.

Ele questiona: "Por que tanto ódio contra o PT?", lembrando uma série de conquistas do seu governo. "Será que nos odeiam porque tiramos 36 milhões de pessoas da miséria e levamos mais de 40 milhões à classe média?" ou "talvez odeiem o PT porque fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste, levando água para quem sofria com a seca, levando luz para quem vivia nas trevas, levando oportunidades, estaleiros, refinarias e indústrias para a região".

Lula fala ainda do desenvolvimento económico, das melhorias no setor da educação, do petróleo, do direitos LGBTI ou da habitação. "Talvez odeiem o PT porque nunca antes o Brasil foi tão respeitado no mundo, com uma política externa que não falava grosso com a Bolívia nem falava fino com os Estados Unidos", escreve.

"Temos muito orgulho do legado que deixamos para o país, especialmente do compromisso com a democracia", indica, lembrando que o PT "nasceu na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país, que tanto sacrifício, tanto sangue e tantas vidas nos custou". Alegando que isso está em risco, "neste momento em que uma ameaça fascista paira sobre o Brasil". 
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