Lula encerra caravana histórica renovado pelo contato com o povo

quarta-feira, 6 de setembro de 2017


Eu tô cansado, mas tô feliz da vida. Esse é o cansaço da batalha, da labuta, não é o cansaço da preguiça. E se eles querem me derrubar, que venham pra rua". A fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva marca o fim de uma jornada de 21 dias, de uma intensa viagem a mais de 30 cidades, cortando pela estrada os nove estados nordestinos. Um viagem que, como lembra o ex-presidente, não foi contada nas páginas dos jornais. 

A caravana, que tocou milhares de corações das capitais aos sertões, foi o reencontro de Lula com o Brasil que ajudou a construir. Do Pernambuco, de onde saiu ainda menino aos 7 anos de idade para fugir da seca e da fome, a Salvador, onde o Brasil começou e por onde o ex-presidente deixou um legado que inclui a criação da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) - na qual foi patrono de uma turma de formandos brasileiros e africanos. Para Lula, a criação da universidade é parte do pagamento da dívida histórica dos brasileiros com o continente africano. 

Aos 71 anos, o ex-presidente não se intimidou pelas horas de estrada, e nem mesmo pela rouquidão - Lula chegou a fazer oito discursos em um dia - e a agenda pré definida sucumbiu à vontade do povo, que ao saber da passagem da caravana Lula Pelo Brasil, organizava paradas improvisadas, na esperança de conhecer um nordestino que deixou o sertão, mas que dele não se esqueceu.

A etapa nordestina da caravana Lula pelo Brasil tem uma simbologia especial. Remeteu a um Brasil que superou a miséria e a fome e ampliou o acesso a universidade. Em 21 dias, cinco títulos de Doutor Honoris Causa foram concedidos ao torneiro mecânico sem diploma que veio a se tornar o presidente da República que mais criou universidades no país. Somaram-se aos de Salamanca, de Coimbra, e mais 27 instituições e hoje são 34. 

Faltou um. Suspendida por decisão judicial, a cerimônia que entregaria o 35º título a Lula na UFRB (Universidade do Recôncavo Baiano) não ocorreu. "E naquele mesmo dia uma negra quilombola estava se formando doutora na universidade. Esse é meu título", comemorou Lula.
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