Deputados voltam a cobrar Força Nacional e questionam investimentos em segurança

sexta-feira, 22 de setembro de 2017


O momento da segurança pública voltou a motivar, nesta quarta (20), cobranças no Plenário da Assembleia. Joel da Harpa (PODE) foi à tribuna reiterar pedido ao Governo para que convoque reforço de policiais da Força Nacional. Já os recursos do Estado aplicados no combate à violência renderam questionamentos da deputada Priscila Krause (DEM), que contestou números anunciados pelo Poder Executivo no primeiro semestre.

A sugestão de solicitar tropas do Governo Federal já havia sido apresentada, na terça (19), pelo líder da Oposição, Sílvio Costa Filho (PRB). Segundo Joel da Harpa, a medida é necessária para suprir a demanda por agentes de segurança, após o fim do programa de jornadas extras da Polícia Militar. “Como todos os policiais faziam serviço extra, o fim do programa foi como se tivéssemos retirado toda uma polícia da rua”, apontou. “Por mais preocupado que um comandante de batalhão esteja em conter a violência, não há condições de se fazer qualquer trabalho”, disse o deputado – que participou, pela manhã, de ato no Palácio do Campo das Princesas, quando a bancada de Oposição protocolou ofício com a proposta.

Governistas reagiram aos argumentos. “Se olharmos a quantidade de homens enviados ao Rio Grande do Norte e ao Rio de Janeiro, seriam 120 policiais da Força Nacional que chegariam a Pernambuco, menos de um por município. Não acredito que alguém ache que isso vá resolver o problema”, disse Lucas Ramos (PSB), lembrando que, nesta semana, o Estado formará 1,5 mil novos policiais militares.

“Quem acha que precisamos da Força Nacional duvida da força e da expertise da briosa Polícia Militar de Pernambuco”, observou Tony Gel (PMDB), no que foi acompanhado por Zé Maurício (PP). “Nossa estrutura de segurança pública é eficiente, séria e tem dado resultados”, apontou o vice-líder do Governo, Rodrigo Novaes (PSD), que citou ter sido a atuação de movimentos de classe dos militares que incentivou servidores a abandonar as jornadas extras e forçou o Executivo a rever o programa.

Investimentos – A deputada Priscila Krause usou a tribuna para apresentar relatório, de sua autoria, em que levantou despesas do Estado, em 2017, com a aquisição de equipamentos e de material permanente na área de segurança pública – gastos tecnicamente classificados como investimentos.

Reunião Plenária - Dep. Priscila Krause
PRISCILA – Parlamentar apresentou relatório, de sua autoria, em que levantou despesas do Estado, em 2017, com a aquisição de equipamentos e de material permanente na área de segurança pública. Foto: Roberto Soares
Segundo a parlamentar, que usou como fonte o Portal da Transparência, os investimentos na área somaram R$ 1,95 milhão entre janeiro e agosto. O valor é o menor já registrado no período desde 2008, até quando existem dados, frisou, e diverge do montante anunciado pelo Governo em abril, que havia prometido R$ 290 milhões em investimentos para o setor.

A deputada também apurou quais dos equipamentos, entre os divulgados na ocasião, foram efetivamente entregues às polícias. Dos 811 automóveis, exemplificou, apenas 172 já foram adquiridos. “Gostaria que a liderança do Governo pudesse marcar um encontro entre nós e a equipe do Executivo para que possamos esclarecer essa situação”, pediu Priscila Krause. “Vou registrar um pedido de informação, mas, como podemos contar nos dedos aqueles que são respondidos dentro do prazo, o que eu gostaria mesmo é de uma reunião”, enfatizou.

Waldemar Borges (PSB) minimizou as preocupações manifestadas pela democrata. O deputado argumentou que, embora os investimentos possam estar pressionados pelas “dificuldades” do contexto econômico, as despesas totais com a segurança pública têm aumentado ano após ano. “Em 2015 foram quase R$ 3 bilhões, em 2016, R$ 3,5 bilhões, e neste ano serão R$ 3,7 bilhões. O crescimento dos gastos efetivos é real”, comentou.

“Frota, munição, locação de prédios para os batalhões e câmeras de monitoramento, por exemplo, são despesas de custeio, que não aparecem contabilmente como investimentos”, complementou Rodrigo Novaes. “A cifra pequena nos gastos dessa natureza não significa que a segurança pública não seja valorizada pelo Estado.”
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