Entidades de PE apontam que subnotificação de casos de violência sexual de crianças e adolescentes chega a 90%

sexta-feira, 5 de maio de 2017

e cada dezena de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em Pernambuco, até nove deixam de ser denunciados no estado, o que representa uma subnotificação de 90%. O alerta foi feito durante o lançamento da campanha de enfrentamento a esse tipo de violência, ocorrido nesta quinta-feira (4) na sede do Centro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco, na área central do Recife.
De acordo com a professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Valéria Nepomuceno, o número oficial de 1.415 casos registrados entre janeiro a dezembro de 2016 representam apenas 10% da realidade que se vive no estado. Segundo ela, a maioria dos casos são cometidos por pais ou padrastos, pessoas que, geralmente, são a única fonte de renda da família. A crise econômica teria favorecido a diminuição das denúncias desde 2016.
“Muitos dos casos não chegam até as entidades por esse medo de acabar com o sustento da casa. A tendência é que a exploração de crianças e adolescentes aumente por conta da crise. Precisamos fazer algo porque isso pode se perpetuar por décadas”, ressalta Valéria ao destacar também os casos que os próprios familiares exploram sexualmente essas crianças e adolescentes em troca de dinheiro.
De acordo com o delegado Ademir Soares, gestor do Departamento de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), foram registrados 45 estupros de crianças abaixo dos 13 anos de idade até março de 2017. “Os agressores ameaçam as vítimas para não contarem e, quando a revelação é feita, muitas vezes as mães não acreditam ou não querem colocar a família dentro de uma situação de repercussão muito grande. Essa mãe também tem medo porque esse abusador, que é marido dela, pai dela, irmão dela, costuma sustentar aquela família”, pontua.
Ainda segundo o gestor, as unidades de saúde e a escola ocupam o papel de descobrir o que está acontecendo com aquele jovem que apresenta indícios de violência, como o desejo de permanecer no colégio, mesmo além do horário escolar, e esconder o corpo. Porém, ele aponta que muitas crianças e muitos adolescentes estão deixando de serem atendidos por essas entidades. “É nessa rede que o caso eclode. Como esse atendimento está muito prejudicado, acaba, também, diminuindo o número de denúncias na delegacia”
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