Em Brasília, Humberto e Lula dizem que reformas de Temer agravam crise

quarta-feira, 26 de abril de 2017


Ao lado do ex-presidente Lula, na noite desta segunda-feira (24), em seminário sobre economia, o líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), afirmou que as políticas de desmonte do Estado promovidas pelo presidente não eleito Michel Temer (PMBD) não serão capazes de tirar o país da crise e recolocá-lo nos trilhos.

No encontro em Brasília, promovido pela Fundação Perseu Abramo e pelas bancadas do PT no Senado e na Câmara, o ex-presidente foi recebido por Humberto, ao chegar ao local, e saudado com muita festa por lideranças e pela militância do partido, ao entrar no auditório. Os dois criticaram as reformas propostas por Temer.

“Muito lúcido e de bom humor, como de costume, e sem demonstrar nenhum abatimento diante de denúncias sem provas que insistentemente costumam levantar contra ele, Lula deu mais uma aula sobre o que o Brasil precisa fazer para sair dessa infernal crise política em que o PMDB e o PSDB mergulharam o país”, afirmou Humberto.

Segundo o parlamentar, as duras medidas adotadas pelo governo contra os trabalhadores e aposentados brasileiros, que atingem diretamente os mais pobres e também fragilizam a classe média, são exemplos de como o país não deve proceder para avançar.

Para ele, a história recente prova justamente o contrário, quando o Brasil cresceu como nunca justamente investindo nos mais desfavorecidos, na lógica de que os pobres do Brasil nunca foram o problema, mas sim a solução para o país.

“A fórmula criada pelo presidente Lula foi a mais simples e a mais inteligente possível, mas que era refutada por todos os governos que o antecederam: investir no povo. Enquanto o mundo sucumbia diante de uma crise mundial de proporções catastróficas, o Brasil saia do Mapa da Fome, tirando 36 milhões de pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza e elevando mais de 42 milhões à classe média”, declarou.

Humberto disse que a presidente Dilma seguiu com uma política fortemente voltada à melhoria de vida do povo, com investimentos pesados em construção civil, por exemplo, com o programa Minha Casa, Minha Vida. Mas, de acordo com ele, a gestão da petista errou ao não identificar rapidamente, por exemplo, setores empresarias que eram beneficiados por isenções fiscais para estimular o consumo e não davam retorno esperado à economia brasileira.

“O fato é que, mesmo com falhas, havia no governo de Dilma um sentimento de total respeito a direitos e conquistas sociais. Havia um sentimento de que não era saída para qualquer crise econômica atacar os mais pobres. Todos os ajustes que fizemos na Previdência Social em 2015, por exemplo, foram para corrigir erros e coibir irregularidades, como no caso do seguro-desemprego”, ressaltou.

O senador lembrou que o governo Dilma jamais mexeu na idade mínima para a aposentadoria, no direito das mulheres a uma regra mais justa, no que estava assegurado aos trabalhadores rurais. Mas, com a derrubada da presidenta, ele avalia que um grupo tomou de assalto o poder para impor ao Brasil uma série de fórmulas cruéis e ultrapassadas, sob a alegação de que só elas podem tirar o país da crise.

“É uma mentira contada atrás da outra, quando do que o Brasil precisa mesmo é de um presidente legítimo, escolhido por meio de eleições livres e diretas, para dar credibilidade à condução do país. Com esse arremedo de governo tétrico e nefasto, nada vai avançar a não ser o desmonte de tudo o que foi construído a duras penas, ao longo de décadas, pelos brasileiros”, disparou.
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