Dilma: Brasil tem encontro marcado com a democracia em 2018

domingo, 9 de abril de 2017


A presidenta eleita Dilma Rousseff foi convidada a palestrar no evento Brazil Conference, encontro realizado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, na tarde deste sábado (8). Em sua fala, Dilma pode mais uma vez denunciar o golpe à democracia sofrido no Brasil, com seu impeachment sem base legal e sem crime de responsabilidade. “Os americanos se indignariam se o Congresso destituísse um presidente eleito nas condições que ocorreram comigo”, afirmou Dilma. Para ela, o Brasil precisa se reencontrar, mas isso será possível apenas com a reafirmação dos valores democráticos. “O Brasil tem um encontro marcado com a democracia em 2018. Isso é inexorável para construir uma nova legitimidade, para recuperarmos as condições de crescer, de desenvolver e de sair da crise”.

Na sua avaliação, esse encontro democrático só não acontecerá se “mudarem as regras durante o jogo”, referindo-se à possibilidade de eleições indiretas ou até mesmo a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de votos. “Ele pode até perder as eleições. Não há vergonha alguma em disputar e perder uma eleição para quem tem valores democráticos. O que não pode é impedir que ele concorra”, apontou. Ao falar da Operação Lava Jato, a presidenta reforçou que seu governo, assim como o do presidente Lula, jamais interferiu na condução das investigações.

Porém, para ela, isso não a impede de fazer criticas ao uso político e ideológico da Operação.“Eu não concordo com nenhum uso de Lawfare, porque isso compromete o direito de defesa. Não é admissível juiz falar fora de processo, o juiz não pode ser amigo do julgado, não é possível qualquer foco de violação do direito de defesa”, declarou.

Dilma também criticou as medidas de retrocesso impostas pelo governo usurpador de Michel Temer, que coloca em prática um programa de governo que não foi aprovado nas urnas.

Suas críticas foram mais duramente direcionadas aos desmontes da previdência e à lei da terceirização, além da Emenda à Constituição 95, o chamado teto dos gastos, que congelou os investimentos públicos em áreas como saúde e educação por 20 anos.

A presidenta afirmou que o atual governo golpista vive um dilema.

“Ou entrega o combinado com o mercado e a mídia para apoiar o golpe e se autodestrói diante da população, perdem aliados no parlamento, ou recua, diminuindo a carnificina da reforma da previdência e da reforma trabalhista, e com isso diminui sua serventia para o mercado e a mídia”, afirmou.
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