Política econômica de Temer é de “volta ao passado”, avalia Sicsú

terça-feira, 7 de março de 2017


Para o diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Ipea entre 2007 e 2011, João Sicsú, “não há horizonte de otimismo para a  economia brasileira”.Em entrevista ao “Jornal do Brasil”, Sicsú, que também leciona no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma nova recessão deve ser esperada em 2017, apesar das expectativas de bonança alardeadas por parte da grande mídia. Um indicativo é o Boletim Focus, que previa em outubro do ano passado uma alta no PIB de 1,3% para 2017. Em dezembro, a previsão caiu para 0,5%.

Como explica o economista, o desemprego crescente e a crise nos estados afetam o consumo, empresários deixam de investir porque não há perspectiva de crescimento da economia, não há política de investimento do governo e as estatais também investem menos.

“A política econômica de hoje é uma política regressiva, de volta ao passado. Além de ser velha, vai produzir resultados que nós vamos retornar a situações que tínhamos há 10, 15 anos, ou até mais”, afirmou Sicsú, ao falar sobre a política aplicada pelo governo golpista de Michel Temer.

“Estamos tendo políticas econômicas que não resolvem o desemprego. Milhares de famílias já voltam para o programa Bolsa Família. Temos dados bastante assustadores, 500 mil famílias que saíram do programa até 2011 retornaram só no ano de 2016”, acrescentou. “Esta é a política econômica que nós temos hoje, uma política velha que produz antigos resultados. Vamos retornar ao passado que tínhamos”.

O economista afirma categoricamente que “não há nenhum sinal de recuperação da economia”. Para ele, o consumo das famílias está extremamente debilitado, o investimento público também, enquanto o investimento privado depende de expectativas em relação à economia do país, que hoje são cadentes.

“Cada dia se espera menos da economia brasileira, o investimento privado está parado. O canal das exportações poderia ser uma saída, mas ele é muito limitado, pois não depende do que acontece no Brasil”, completou.

Para Sicsú, o que existe hoje no país é um projeto de reduzir os custos empresariais, os custos trabalhistas – o que no ponto de vista do trabalho é direito -, para aumentar a produtividade. “Só que nenhum trabalhador aumenta produtividade quando está inseguro, vulnerável, do ponto de vista social”, afirmou.

“Na verdade, o governo e os empresários olham para o trabalhador como um custo. A reforma trabalhista, da  previdência, as desonerações, são todas no sentido de aumentar o volume de recursos para empresários, para que eles resolvam investir. Mas eles não vão investir apenas se o dinheiro está disponível, eles vão investir se houver perspectiva de crescimento, sem direito trabalhista ou não”.

Olhando para o governo petista, o economista afirma que o Brasil tomou medidas no sentido correto a partir de 2003, “que foi no sentido de fortalecimento dos Brics, e até de fazer um banco de financiamento para infraestrutura nesses países”. Para ele, os Brics realmente tinham um sentido que levava os países para o desenvolvimento, em especial para construção de infraestrutura. “Isto era extremamente positivo, tinha aspectos isolados importantes como no caso do Brasil, com um foco na política social muito forte, e também a ideia de construção física dos países, de infraestrutura”, concluiu.
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