Paulo destaca “bravos guerreiros” de Pernambuco em sessão solene em homenagem à Revolução de 1817

quarta-feira, 8 de março de 2017


Governador fala da coragem cívica dos revolucionários pernambucanos para fazer o Brasil independente de Portugal


BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados realizou na manhã desta terça-feira (07/03) Sessão Solene em homenagem ao Bicentenário da Revolução de 1817. O governador Paulo Câmara e o vice-governador Raul Henry representaram o Governo de Pernambuco na cerimônia, realizada por iniciativa do deputado federal Tadeu Alencar. Paulo foi um dos que discursaram na sessão solene. “Apesar dos enforcamentos, dos fuzilamentos, dos esquartejamentos, das devassas, dos degredos, e das prisões, não morreu o compromisso dos pernambucanos com a liberdade e a República. Não por acaso, são denominados de ‘bravos guerreiros’ no hino estadual”, afirmou o governador pernambucano.

Paulo observou que, ao realizar a Sessão Solene, a Câmara dos Deputados dá importante contribuição para que seja mitigada uma dívida histórica com os pernambucanos. “Considerada pelo historiador Manuel de Oliveira Lima ‘a única revolução no Brasil digna deste nome’, a Revolução Republicana de 1817, que irrompeu em Pernambuco na tarde de 6 de março, há 200 anos, nunca recebeu, da historiografia oficial, o destaque que ainda lhe é devido”, ressaltou.

Para o governador de Pernambuco, passados dois séculos,  vários legados perduram de 1817. “O mais importante deles custou a ser reconhecido. Trata-se de constatação de que a luta pela República, há dois séculos, foi uma das sementes do movimento que resultou no Sete de Setembro, apenas cinco anos depois. Receber do Brasil tal consideração, ainda que tardia, muito nos honra. E, como dito no início, esta Sessão Solene é uma importante contribuição para que os comprovados fatos históricos sejam chancelados como tal”, avaliou o governador Paulo Câmara.

Íntegra do Discurso do Governador Paulo Câmara

“Ao realizar esta Sessão Solene, a Câmara dos Deputados dá importante contribuição para que seja mitigada uma dívida histórica com os pernambucanos.

Considerada pelo historiador Manuel de Oliveira Lima “a única revolução no Brasil digna deste nome”, a Revolução Republicana de 1817, que irrompeu em Pernambuco na tarde de 6 de março, há 200 anos, nunca recebeu, da historiografia oficial, o destaque que ainda lhe é devido.

Portanto, agradeço ao deputado Tadeu Alencar, da bancada de Pernambuco do Partido Socialista Brasileiro, autor da proposição, e aos parlamentares que deram apoio à iniciativa com seus votos. Aqui expresso o reconhecimento dos pernambucanos a esta Casa, representação democrática de todos os brasileiros.

São muitas as razões para se comemorar e se reavivar na memória este Bicentenário. A Revolução de 1817 foi a primeira a pegar em armas pela instauração de uma República no Brasil; a primeira a eleger um governo que passou a administrar sob um ordenamento pré-constitucional; a primeira a libertar escravos e a adotar medidas a favor dos mais pobres. Nomeou embaixador para os Estados Unidos; organizou exército e, em pouco tempo, recebeu a adesão das províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

Pernambuco nunca lutou para se separar do Brasil, como propagou a narrativa oficial por décadas. Mas sim para separar o Brasil de Portugal, apartar a colônia do colonizador. Um colonizador cuja Corte, instalado no Rio de Janeiro, cada vez mais taxava de impostos os pernambucanos, e os reprimia, enquanto o quadro econômico e social se agravava, com a queda das exportações do açúcar.

Pouco mais de dois meses durou a Revolução Republicana de 1817. Teve como líderes comerciantes, profissionais liberais, padres e maçons, inspirados pelos princípios humanistas da Revolução Francesa de 1789. Nas suas fileiras lutaram brancos, negros, índios e mestiços.

A reação do colonizador foi implacável. Cerca de 1.600 revolucionários foram mortos – dezenas enforcados no centro do Recife – e feridos cerca de 800 degredados. A devassa que se seguiu alcançou outros milhares. O colonizador ainda decepou parte do território de Pernambuco, ao Sul. Até então, nunca houvera repressão tão extensa e profunda.
 
No entanto, apesar dos enforcamentos, dos fuzilamentos, dos esquartejamentos das devassas, dos degredos, e das prisões não morreu o compromisso dos pernambucanos com a liberdade e a República. Não por acaso, são denominados de “bravos guerreiros” no hino estadual.

Compromisso que pouco tempo depois, em 1824, foi reavivado na Confederação do Equador, novo movimento libertário, unindo as províncias nordestinas. Compromisso de luta contra o arbítrio – que levou o Governador Miguel Arraes a não renunciar ao cargo, mesmo sabendo que seria preso pela ditadura. Compromisso com a democracia, que fez desabar sobre Pernambuco disseminada e dura repressão, após abril de 1964.

Passados dois séculos, que legados perduram de 1817? O mais importante deles custou a ser reconhecido. Trata-se de constatação de que a luta pela República, há dois séculos, foi uma das sementes do movimento que resultou no Sete de Setembro, apenas cinco anos depois.

Receber do Brasil tal consideração, ainda que tardia, muito nos honra. E, como dito no início, esta Sessão Solene é uma importante contribuição para que os comprovados fatos históricos sejam chancelados como tal.

Igualmente importante é constatar que a Revolução não dividiu os brasileiros. Ao contrário, buscou a unidade de todos contra o adversário comum – o colonizador. Não segregou classe social, raça ou credo, num esforço de integração nunca antes visto no Brasil. Um exemplo a ser seguido, no momento em que o País, atravessado por uma crise sem precedentes, mais precisa do consenso de suas lideranças e da solidez de suas instituições, para voltar a se desenvolver.

Pernambuco – com seu anticolonialismo, seu autonomismo, seu irredentismo – não quer ser tratado com privilégios. Mas sabe da sua importância secular para a formação da consciência da Nação brasileira. E tem absoluta convicção do papel da Revolução Republicana de 1817 nesta construção, erguida por gerações e gerações.

É por isso que estamos reunidos aqui: para relembrar, para reaprender e para avançar, rumo ao que de melhor nos reserva o futuro, norteados pela coragem dos que, no passado, forjaram a base do que hoje somos.
Muito obrigado.”
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