Depoimento da filha de Evandro Cavalcante (Marcela Cavalcanti ).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

30 anos sem você...
30 anos sem seu colo, sem seu abraço;
30 anos sem seu sorriso espontâneo e farto;
30 anos sem a sua alegria contagiante;
30 anos sem a sua voz, cantando e assoviando pela casa;
30 anos sem sua empolgação nas brincadeiras que inventava pra gente;
30 anos sem a sua presença física, 30 anos de SAUDADE.

E só foram 9 anos de convivência. Mas foram tão bem vividos, que as lembranças são as mais lindas, as mais ricas! Você era tão doce, tão divertido e tão leve. Tão carismático e tão amoroso!
Mas nesse pouco tempo de convívio, você nos ensinou tanto! Foi com você que aprendi a gostar de ler (lembro até hoje quando chegou a primeira caixa de livros com a coleção "Reino encantado da criança", que realmente nos encantou por tanto tempo! Guardo até hoje o último presente que você me deu, um livro já sem capa e amarelado com uma linda dedicatória sua ❤). Foi com você que aprendi sobre generosidade, política, justiça, e lutas sociais. 
E seus ensinamentos transcenderam aqueles anos que passamos juntos e até hoje aprendo com você quando leio ou escuto falarem a seu respeito. Hoje foi a frase lembrada por padrinho: "Zé, o povo não tem direitos, tem conquistas!"   Apesar da dor da perda abrupta e violenta, esses 30 anos também foram de muita felicidade. Porque não foi só um pai exemplar que a vida nos deu, mas uma mãe que sempre foi o "braço forte" lá de casa. E aos 35 anos de idade, viúva e com quatro filhos pequenos ela soube, com uma força e ternura descomunais, administrar o caos, se reinventar e nos proporcionar um seguir adiante igualmente amoroso, digno e feliz. Ela nos ensinou a lutar por justiça, nunca por vingança e a ter orgulho do nosso pai. 

Consigo ser feliz porque agradeço a Deus a oportunidade de estar desse lado da história, de poder andar de cabeça erguida e sempre recebendo o carinho, a emoção, depoimentos enaltecedores daqueles que conviveram com meu pai. Cresci com a ausência física do meu pai, mas com a presença do legado nobre que ele nos deixou. Imaginem o contrário, ser filha de um assassino, covarde, explorador e crescer com a ausência dele preso ou foragido?E nesse 21 de fevereiro, mais uma vez vem à tona o paradoxo das lembranças mais duras e tristes, mas também da mais linda e doce que é a do meu  painho vivo!
Evandro Cavalcanti, você é luz nas nossas vidas!
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