Pacto pela Vida e compra de tapetes pela SDS são criticados por delegados

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Até 2006, Pernambuco era considerado um dos estados mais violentos do país. E reinava  clima de total impunidade. Um estudo minucioso, feito por professores da Universidade Federal de Pernambuco, indicava que pouco mais de um por cento dos casos de homicídios chegaram à justiça, um ano após terem sido praticados. Pior: no mesmo período, só 0,8 por cento tinha ido a julgamento. O trabalho, realizado por Luiz Ratton e Flávio Cireno, mostrava outro dado assustador: dos inquéritos que chegavam ao Ministério Público de Pernambuco, 39 por cento não indicavam o autor do crime. Os dois pesquisadores fizeram a análise, depois de examinar  o histórico de 2 mil 114  assassinatos, que aconteceram entre 2003 e 2004. A publicação mostrava, enfim, que a deficiência se espalhava não só pela polícia, mas que se estendia ao Ministério Público e à Justiça. E que tal situação funcionava como uma espécie de bomba relógio na questão da violência. Alguma coisa precisava ser feita. Foi aí que o então Governador Eduardo Campos (PSB), recém eleito, decidiu lançar o Pacto pela Vida. Era um plano ambicioso, que vinha a ser a primeira política de Estado para combate sistemático à violência em Pernambuco. A meta era conseguir uma redução de doze por cento ao ano no índice de assassinatos, mas ela não vem sendo cumprida. No entanto,  como diz o ditado popular, ruim com ele, pior sem ele. Apesar das críticas, dos problemas, e do enterro simbólico realizado por delegados, o Pacto pela Vida reduziu a incidência de homicídios em 30,4 por cento desde que começou a ser implementado.

É que quando foi lançado, em 2007, a proporção era de 56 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes.  De acordo com a Secretaria de Planejamento e Gestão – que monitora os dados – a proporção hoje é de 39 por cem mil. Isso prova que alguma coisa foi feita. A preocupação é que os índices estão voltando a subir. Dados divulgados pela própria Secretaria de Defesa Social indicam que nos primeiros sete meses de 2015, os homicídios aumentaram 15,6 por cento em relação a igual período do ano passado. Os crimes violentos contra o patrimônio também estão crescendo. E muito. Cerca de 20, uma tendência que vem se observando ano após ano. Em 2014, por exemplo, os roubos foram 12 mil 570 a mais do que em 2013. Dá para se entender, portanto, a situação de insegurança que o povo mostra nas ruas. Para completar, delegados vêm empreendendo uma verdadeira queda de braço com o Governo do Estado. Até outdoors começaram a espalhar pelas ruas, questionando o Pacto pela Vida, que segundo eles, está falido. Para a população, fica difícil entender esse tipo de atitude, partindo de quem deveria zelar pela segurança. Na terça, o JC nas Ruas lembrou aos policiais que a situação não está “para brincadeira”. E que é preciso que todos “dêm as mãos”, para reduzir os índices da violência em Pernambuco.

Titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, o Delegado Osias Tibúrcio enviou essa correspondência. “Letícia, Como Delegado de Polícia sinto-me na obrigação de tecer alguns esclarecimentos sobre a sua coluna no JC de hoje (11/08/15). O nosso protesto só ocorreu após o governo responder negativamente a todos os pleitos da categoria. Não olvidamos que o momento é de crise, mas enquanto a SDS faz licitação para tapetes, não temos coletes nem combustível para ir às ruas. Qual é afinal a prioridade da SDS? A entrega da jornada extra foi feita porque o governo do Estado paga 1/5 do valor devido, não há como se ultrapassar a jornada semanal de 40 horas sem o pagamento de horas extras, um direito básico de todo trabalhador. Nós estamos dispostos a trabalhar para reduzir a violência no Estado, mas é preciso que o governo nos dê condições dignas de trabalho. Como você muito bem afirmou: “Melhor se todos dessem as mãos pra reduzir a espiral da violência.” O problema é que o governo não estica os braços para darmos as mãos a ele. Por fim, é importante dizer que embora a Polícia de Pernambuco seja uma das mais eficientes do país, com altas taxas de resolução de homicídios, os Delegados pernambucanos tem o pior salário nação, recebendo um valor inferior ao que é pago a colegas que trabalham em Estados com PIB per capta muito menor que o de Pernambuco e, muitas vezes, onde os índices de criminalidade são até mais altos. Espero ter contribuído com a visão de quem lida com segurança e quer trabalhar muito, mas não recebe o devido apoio do governo”.

Até aí, nenhuma novidade. Delegado falar mal do governo em Pernambuco virou cena comum. O que chamou a atenção do JC nas Ruas foi o pregão para aquisição de mil metros quadrados de “tapetes personalizados”, em uma época em que delegados, agentes e até PMs se queixam do sucateamento das polícias. Um deles chegou a enviar a foto de um colete ainda utilizado, mas que está com prazo vencido. O valor da licitação para a compra de tapetes é R$166,6 mil. O que daria para investir em 230 coletes à prova de bala, tomando-se como base um preço médio entre os mais caros e os mais baratos existentes no mercado. Os tapetes, que devem ter as cores cinza e azul, ainda precisam ostentar o brasão da SDS. E serviriam para “equipar”, digamos assim, 38 unidades da SDS, espalhadas em capital e interior. Cada um deveria custar R$ 166,66 De acordo com o processo licitatório nº 027/2015-CPL/SDS, publicado no dia 7 de agosto, o recebimento das propostas, a abertura delas e ainda o início da sessão da disputa de preços deve ocorrer no dia 20 deste mês. Mas conforme explicou a SDS, o pregão não implica, necessariamente, em intenção imediata de compra. “Não é licitação, nem compra. 

Fonte :http://jc.ne10.uol.com.br/blogs/jcnasruas/2015/08/12/pacto-pela-vida-e-compra-de-tapetes-pela-sds-sao-criticados-por-delegados/
Últimas Postagens

Visualizações de página

Facebook