Piloto e copiloto do avião que caiu com Eduardo Campos não tinham treinamento exigido

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A investigação realizada pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) aponta que nem o piloto nem o copiloto da aeronave que caiu matando o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tinham a habilitação exigida para pilotar o avião. De acordo com a apuração da Aeronáutica, divulgada nesta segunda-feira (26), a permissão do piloto o credenciava a comandar uma aeronave de modelo diferente e por isso seria necessário que ele fizesse um treinamento. Já o copiloto precisaria de um curso completo.
De acordo com a investigação, os aviônicos, que são as telas no painel de controle das aeronaves, mudam de um modelo para outro. A aeronave que os pilotos tinham permissão para pilotar e o avião que caiu tinham configurações diferentes, os aviônicos emitiam sinais diferentes. No entanto, o investigador do Fator Operacional, major Carlos Henrique Baldin, afirma que ainda não é possível afirmar que o problema na habilitação dos pilotos seja a causa do acidente.

— Isso tudo nós vamos analisar, estamos entrando nessa fase. Pode ser que sim, isso tenha sido um fator contribuinte, pode ser que não. Nós estamos apresentando a coleta de dados, agora nos precisamos interpretá-los. Agora não temos condições de dizer se [a falta de habilitação específica] contribuiu ou não. Mas, pode ser uma condição de risco para acidentes.

O Cenipa entende que a falha na habilitação não seja, necessariamente, responsabilidade dos pilotos. De acordo com os investigadores da Aeronáutica, é possível que no momento em que piloto e copiloto realizaram a renovação de suas permissões de voo, os treinamentos exigidos fossem outros, uma vez que as regras mudam e há um período de transição e atualização das habilitações.

Baseada nisso, a Cenipa emitiu uma recomendação em novembro do ano passado, pedindo que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) assegure que os pilotos recebam o treinamento correto para operar no Brasil a aeronave envolvida no acidente de Campos. Além disso, a Aeronáutica também recomenda que, ao emitir as licenças para os pilotos, seja checado se foi realizado um correto treinamento de “familiarização” ou de "diferenças" com outros modelos de aeronaves parecidas.
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