PSDB reúne provas para pedir cassação da candidatura de Dilma

terça-feira, 7 de outubro de 2014


Tucanos vão recorrer ao TSE e ao MP por investigação para que se apure se os Correios boicotaram deliberadamente envio de malotes de campanha de Aécio

Contrariando norma da própria estatal, os Correios distribuem panfletos de campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) sem chancela ou comprovante de postagem oficial - o que impede a comprovação de pagamento para o envio da propaganda eleitoral. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Ao menos 4,8 milhões de panfletos petistas foram distribuídos desse modo. Sem a chancela, contudo, é impossível saber ao certo se a quantidade de material enviado corresponde à paga pelo partido.

Segundo o jornal, a exceção foi aberta por meio de comunicado interno distribuído em 3 de setembro pela Diretoria Regional Metropolitana dos Correios. No texto, atribuiu-se ao fato um problema na impressão das peças, enviadas como mala postal domiciliária. O caso é tratado como "excepcional". O órgão responsável pela autorização é chefiado por Wilson Abadio de Oliveira, afilhado político do vice-presidente Michel Temer (PMDB), que aparece sorridente ao lado de Dilma e Lula nos folders distribuídos. As peças circularam pela Grande São Paulo e cidades do interior até o dia 12 deste mês.

O caso provocou irritação nos carteiros, que ameaçaram não entregar os santinhos. Ao questionarem seus chefes sobre a ausência da estampa oficial, informa a reportagem, foram orientados a entregá-los como estavam. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos (Sintect-ACS) em Campinas enviou uma carta a Divinomar Oliveira da Silva, filiado ao PT e diretor regional da estatal no interior do Estado, cobrando esclarecimentos. A categoria ameaça entrar com representação no Tribunal Superior Eleitoral. Já os Correios informam que o pagamento pelo serviço foi feito à vista, com emissão de recibos, e que a autorização "excepcional" está prevista nas moras da estatal. Nomeado por Dilma em 2010, o sindicalista Wagner Pinheiro preside a empresa. Filiado ao PT do Rio de Janeiro, ele transformou a estatal em feudo do partido desde que assumiu o cargo.

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Depois de anunciar que acionarão a Justiça por uma investigação rigorosa sobre indícios da utilização dos Correios em benefício da campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, e o candidato tucano ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, começaram a reunir provas para pedir a cassação dos registros de candidatura da petista e do candidato do PT ao governo de Minas, Fernando Pimentel.

Os tucanos vão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de investigação judicial eleitoral e ao Ministério Público Federal para que as duas instituições apurem se os Correios boicotaram deliberadamente o envio de malotes de campanha de Aécio como forma de favorecer a presidente-candidata na corrida presidencial.

As denúncias levantadas pelos tucanos levam em conta depoimentos de eleitores que não receberam material de campanha de Aécio mesmo após o candidato ter contratado o serviço, no dia 25 de agosto. Neste contrato, estava prevista a distribuição de 5.634.000 santinhos de Aécio no interior de Minas, base de apoio do candidato e colégio eleitoral considerado prioritário para a candidatura tucana. Pelo documento, os kits de campanha deveriam ser entregues até o dia 10 de setembro e, em alguns casos, a 100% da população de cidades pequenas e médias em Minas, como o município de Esmeraldas, com cerca de 60.000 habitantes.

O corpo jurídico da campanha de Aécio já conseguiu mapear pelo menos 1.000 endereços, contratados como destino dos malotes pelo tucano, em que eleitores confirmam que não receberam qualquer material de campanha do PSDB. A campanha reúne depoimentos e dados pessoais dos eleitores supostamente lesados pelos Correios, para embasar os pedidos de cassação dos registros de candidatura. De acordo com o candidato Aécio Neves, que cumpriu agenda nesta quarta-feira nas cidades de Mogi das Cruzes (SP), Juiz de Fora (MG) e Governador Valadares (MG), uma das provas seria a afirmação dos Correios de que poderiam “reenviar” o material. Para ele, isso seria a admissão de que a empresa pública reteve os kits de campanha e não os distribuiu aos eleitores, conforme contratado. Com base nesses indícios, a campanha do PSDB aponta que já existem evidências de abuso de poder político e econômicos, desvio da autoridade dos Correios e utilização de empresa pública em benefício de partidos e candidatos.

Antes de carreata na cidade de Governador Valadares, Aécio insinuou que as suspeitas de uso político dos Correios são como um novo capítulo de um grande esquema de desvirtuamento de instituições públicas, a exemplo do que já aconteceu com a descoberta de um esquema milionário de corrupção na Petrobras. “As denúncias em relação à utilização da empresa dos Correios são extremamente graves. Estamos recebendo centenas de denúncias. Se se comprovar isso, é um crime sem precedentes na história política de Minas”, disse.

“É um escândalo. Agora são os Correios. Antes era a Petrobras”, criticou o candidato do PSDB ao governo de Minas. O tucano, que foi ministro das Comunicações no governo FHC e, portanto, hierarquicamente superior aos Correios, disse que há evidências de “uso despudorado” da empresa pública para fins eleitorais.

O tom das acusações do PSDB sobre a estatal subiu após divulgação de vídeo, pelo jornal O Estado de S. Paulo, em que o deputado estadual Durval Ângelo (MG) diz que a presidente-candidata Dilma Rousseff só chegou à liderança nas intenções de voto porque “tem dedo forte dos petistas nos Correios”. “Não basta fazerem o que fizeram na Petrobras. Essa forma de governar do PT, se apropriando do Estado como se fosse seu patrimônio, tem que ser encerrada e os responsáveis exemplarmente punidos”, afirmou Aécio em agenda na cidade de Juiz de Fora.

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