Pernambuco foi o Estado com maior rejeição ao Partido dos Trabalhadores PT

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O ano de 2014 acabou de forma precipitada para o PT de Pernambuco. Na terra natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a sigla definhou como em nenhum outro lugar do Brasil. Dois ex-prefeitos do Recife, capital do estado, saíram de cena ao perder a disputa por um mandato. Entre os nove estados do Nordeste, o pernambucano foi o único onde a presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu a eleição, sendo derrotada por Marina Silva (PSB). Vai ser difícil juntar os pedaços, ainda mais quando a sigla não sabe pronunciar a palavra unidade.
Depois do fracasso político de 2012, João Paulo e João da Costa tiveram de enrolar a bandeira. O candidato ao Senado do PSB, Fernando Bezerra Coelho, teve no estado mais que o dobro dos votos do petista, 64,34% contra 34,80%. No Recife, a diferença do sertanejo Fernando Bezerra foi ainda maior, 68,99% dos votos contra 29,04%.

João Paulo alcançou neste ano 235.845 votos na capital, um resultado eleitoral inferior ao que obteve no 1º turno de 2000, quando não era conhecido como agora e concorreu à prefeitura contra Roberto Magalhães (DEM). João da Costa concorreu ao cargo de deputado federal e alcançou 63.060 votos, cerca de dois mil a menos do que obteve em 2006
, quando se elegeu pela primeira vez como deputado estadual.

A sangria não estanca por aí. O partido que elegeu quatro deputados federais em 2010 e quatro estaduais perdeu todas as vagas no Congresso, embora tenha reelegido três lideranças para a Assembleia Legislativa, Teresa Leitão, Manoel Santos e Odacy Amorim. O conforto do ar condicionado e dos gabinetes, aliado às brigas internas, deixou o PT sem oxigenação. Um exemplo é o atual líder da oposição na Assembleia, Sérgio Leite (PT), que, por vezes, pedia para deixá-lo fora de polêmicas ao ser questionado por jornalistas. Representante dos policiais civis, Sérgio perdeu a eleição depois de 16 anos na Assembleia.

Para se ter uma ideia da falta de reação do PT pernambucano, houve mais quatro estados do país onde a legenda não emplacou um representante na Câmara (Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins), mas em nenhum desses o PT tinha tradição, como em Pernambuco, nem era a segunda casa de Lula (a primeira sempre foi São Paulo).
Quando a comparação é feita com outros estados, foi possível observar uma reação eleitoral do PT em Minas Gerais, reduto de Aécio Neves, e no Acre, terra natal de Marina. Porém não se viu reflexos desse bom momento no estado.
A aliança do PT com o PTB de Armando Monteiro Neto em 2014 foi outro fruto que nasceu azedo da semente plantada em 2012, porque o partido se manteve tão desunido, que não teve forças de lançar um candidato  ao governo do estado. Armando elegeu cinco deputados federais do seu grupo político, nenhum do PT.

As urnas mostraram, portanto, que a sigla não soube jogar xadrez. E não há espaço para amador na política, nem para legendas que não conseguem revelar novas lideranças. É só fazer as contas: quando foi que surgiu um líder natural do PT dentro dos movimentos sociais? Quantos se lembram de ver o PT como voz diferenciada na Câmara dos Vereadores, na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados? Se a máquina do PSB fosse a única justificativa para a derrota, como alguns petistas avaliam, a vereadora Priscila Krause (DEM) não teria sido eleita deputada estadual ontem, pela oposição, nem Daniel Coelho (PSDB) teria conquistado a vaga de deputado federal.
Entre os motivos da derrota retumbante, os petistas alegam a comoção pela morte de Eduardo e falta de recursos. Mas os erros vêm de longe. O último presidente estadual da sigla, Pedro Eugênio, não se reelegeu como deputado federal, enquanto Teresa Leitão ficou no penúltimo lugar dentro de sua coligação, eleita por um triz.

Ambos fecharam os olhos à infidelidade partidária, permitindo a cada momento que a sigla sustentasse uma agenda negativa, com lideranças declarando apoio ao PSB. Só para lembrar, um dos integrantes da executiva do PT de Pernambuco, Gilson Guimarães, declarou voto em Paulo Câmara uma semana antes das eleições e nada aconteceu. Gilson justificou a infidelidade, na ocasião, frisando que Armando e João Paulo não faziam campanha para Dilma. Uma declaração tão profunda como um prato de pires. Se Armando e João Paulo não faziam campanha, o que dizer de Paulo Câmara, declaradamente oposição a Dilma?

Se fosse o dia do julgamento, não haveria inocente quando se trata de manter a coerência do partido. A começar pela principal estrela, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nunca saiu do muro em relação ao PSB estadual. Do mais alto escalão do PT pernambucano até o menor, todos pecaram. Atire a primeira pedra quem nunca o fez, aliás. O detalhe é: arrependimento se mostra com ações. Ao que parece, ninguém se arrependeu.
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